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Como educar para a inovação em setores criativos

Diego Santos Vieira de Jesus
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A educação é fundamental para o desenvolvimento de competências criativas e inovadoras nas áreas técnicas e de gestão. Mas ainda são limitadas as possibilidades de desenvolvimento dessas capacidades em grande parte das instituições de ensino brasileiras. Isso é o que aponta pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Cidades Criativas, da ESPM-Rio

Sensibilidade e técnica, atitudes e posturas empreendedoras, habilidades sociais e de comunicação, compreensão de dinâmicas socioculturais e de mercado, análise política e capacidade de articulação de conhecimentos diversos. Essa perspectiva multidisciplinar, que incorpora abordagens diversas, é a base do processo educacional ideal para a formação de profissionais criativos. Entretanto, essa ainda não é a realidade de muitas instituições de ensino do Brasil.

Essa é uma das principais constatações da pesquisa “Educação e Economia Criativa: Desafios e Oportunidades”, desenvolvida pelo Laboratório de Cidades Criativas (LCC) da ESPM-Rio – com o objetivo de examinar os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento da educação para a economia criativa.

Os focos da pesquisa:

– a incorporação de conteúdos vinculados a competências criativas aos programas educacionais atuais;

– a congregação de temas próprios dessas competências em projetos já existentes;

– o incentivo à interação entre escolas profissionalizantes e iniciativas de cunho social;

– o incremento de incubadoras e centros de pesquisa de economia criativa.

Inovação em setores criativos

Os setores criativos remetem às atividades culturais específicas – como editorial, audiovisual, artesanato e gastronomia –, às relacionadas a lazer e entretenimento – como artes performáticas e games – e às funcionais, como moda, arquitetura, publicidade e design.

A inovação nesses setores refere-se à dotação de recursos humanos e materiais para criação total ou ressignificação de processos e produtos, desde descobertas científicas até novos usos para tecnologias, modelos inéditos de negócios ou disponibilização de produtos ou serviços para novos locais e clientes.

Educar para a inovação

A educação para a inovação em setores criativos precisa incorporar o estímulo à geração de ideias, à sua conversão em produtos e serviços e à difusão da inovação. Quanto ao primeiro ponto, os estudantes podem ser orientados a produzir inovações a partir de fontes como a criatividade individual, na qual ideias emergem por iniciativa ou inspiração pessoais, background de cada pessoa e mobilização de recursos internos da organização – como tecnologia – ou externos, como elementos culturais. Emoções e inspirações em tradições aparecem em setores como moda e gastronomia.

Outra fonte é o trabalho coletivo a partir da interação com usuários, típica em setores como games, para se captar ideias em sessões de brainstorm, testes-piloto e feedbacks de usuários. Uma terceira é o mercado, já que é baseado em tendências utilizadas para elaborar propostas. Produtores no setor audiovisual podem considerar particularidades de mercados locais para adaptar produtos. Finalmente, pesquisa e desenvolvimento levam a novos materiais e dispositivos.

Convertendo e difundindo ideias

No preparo para converter ideias em produtos, serviços ou conteúdo, o estudante deve ser orientado para uma primeira fase da inovação, mais criativa e flexível. Ela é seguida por uma segunda administrativa, linear e definida por acesso a recursos e mercado e processos de controle.

Quanto à difusão da inovação, o estudante pode ser apresentado às formas de promoção de produtos e serviços, como meios tradicionais e digitais de comunicação, difusão por Poder Público e sociedade civil e colaboração via networking.

Obstáculos à educação para a economia criativa

O Laboratório de Cidades Criativas constatou que a promoção da educação para a economia criativa torna-se difícil no Brasil pelo estímulo insuficiente à interdisciplinaridade e à transversalidade dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes, pelo baixo fomento ao desenvolvimento de aptidões artísticas e críticas e pelo reduzido investimento em inovação.

Se esse incentivo fosse dado, seria possível aplicar produtos, serviços, processos, tecnologias, estruturas organizacionais e sistemas de gestão inéditos para beneficiar não somente empresas, mas a sociedade em geral.

Em busca da educação mais criativa

Em face de tais dificuldades, o foco para a proposição de soluções para problemas em cada parte do processo de inovação durante o ensino pode fortalecer o próprio processo, considerando-se rotinas e desempenhos de pessoas ou tecnologias. Institutos de pesquisa poderiam promover interfaces entre organizações culturais e instituições de ensino superior.

Faz-se também primordial um conjunto de iniciativas para os ensinos fundamental e médio que estimulem criatividade, empreendedorismo e pensamento questionador, os quais conduzam a inovações organizacionais e sociais.

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Diego Santos Vieira de Jesus

É docente e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) e coordenador do Laboratório de Cidades Criativas da ESPM-Rio.

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