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Pesquisa inédita cria índice de potencial da economia criativa das capitais brasileiras

Diego Santos Vieira de Jesus
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Florianópolis é destaque em pesquisa conduzida pelo Laboratório de Economia Criativa, Desenvolvimento e Território (LEC) e pelo Laboratório de Cidades Criativas (LCC) da ESPM-Rio

Florianópolis é a capital brasileira com a melhor posição para atrair e conectar pessoas – bem como lidera a lista quando o critério é ambiente cultural e empreendedorismo criativo, deixando para trás Vitória, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba. Essas são algumas das descobertas do Índice de Desenvolvimento Potencial da Economia Criativa (IDPEC), que ainda aponta que as capitais do Sudeste e do Sul do Brasil ocupam 7 das 8 primeiras posições quando compilados dados de desigualdade regional no país, particularmente em relação à educação básica e superior.

Iniciativa conduzida pelo Laboratório de Economia Criativa, Desenvolvimento e Território (LEC) e pelo Laboratório de Cidades Criativas (LCC) da ESPM-Rio, o trabalho foi liderado pelo pesquisador e coordenador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC), João Luiz de Figueiredo. O objetivo central: mensurar o potencial de desenvolvimento da economia criativa nas 26 capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal, por meio da análise e cruzamento de dados de fontes secundárias.

Afinal, o que é economia criativa?
A economia criativa se refere a um conjunto de atividades, bens e serviços que têm base na criatividade, no talento ou nas habilidades individual e coletiva. Ela incorpora setores como publicidade, arquitetura, mercado de artes, artesanato, design, moda, cinema, softwares, música, artes performáticas, indústria editorial, rádio, TV, museus e atividades relacionadas às tradições culturais.

“Diante do desafio de quantificar o potencial da economia criativa, e não apenas a sua situação atual, incluímos em nossa pesquisa uma variedade de dados que extrapola a análise das atividades produtivas da economia criativa em si, de modo que incorporamos variáveis reconhecidas como fundamentais para o fortalecimento da economia criativa”, explica  Figueiredo. “Nessa perspectiva, não objetivamos identificar as capitais brasileiras com maior peso econômico das atividades criativas. O índice revela as cidades com maior potencial de desenvolvimento da economia criativa, considerando as suas especificidades.”

Nesse sentido, o IDPEC tem a importância de contribuir com a identificação do potencial de desenvolvimento da economia criativa nas capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal, de modo a colaborar para a superação de um dos gargalos ao fortalecimento da economia criativa no Brasil: a escassez de dados e índices que forneçam insumos aos formuladores de políticas, bem como aos agentes produtivos, para a melhor identificação das ações a serem pensadas para o fortalecimento da economia criativa no Brasil.

Base confiável para formulação de políticas para a economia criativa

O Índice aponta as cidades melhor preparadas para o desenvolvimento da economia criativa como um elemento chave na sua dinâmica de produção. Os rankings desenvolvidos não são um ordenamento das capitais estaduais com maior impacto na economia criativa brasileira, mas uma categorização daquelas com maior capacidade para dinamizar a economia criativa em face de seus próprios panos de fundo territoriais.

A desigualdade regional no Brasil é bem conhecida e foi corroborada pelos resultados do IDPEC, já que o topo de todas as listas é ocupado por capitais das regiões Sul e Sudeste do Brasil, bem como o Distrito Federal. Se o diagnóstico apresentado sobre as atividades criatividades criativas assumindo papel crescente na economia global estiver correto, então é bem provável que tal papel maior desempenhado por essas atividades tenderá a ampliar as desigualdades regionais dentro do próprio território brasileiro.

Em face disso, a expectativa do LEC e do LCC é a de que o IDPEC possa contribuir para a formulação de políticas capazes de fortalecer a economia criativa no Brasil ao reconhecer não somente os potenciais, mas também os gargalos de cada capital no desenvolvimento da economia criativa.

Para mais informações sobre a pesquisa, basta acessar o link com o artigo publicado no Creative Industries Journal sobre o tema ou acessar o site do IDPEC.

Entenda a construção dos índices

Para a geração do IDPEC, foram consideradas três dimensões:


Talento:

– capital humano (proporção de pessoas com formação universitária)

– emprego em setores criativos x total de empregos

– performance média dos estudantes da educação básica.

Atratividade e Conexões:

– atratividade nacional (proporção de pessoas de outras cidades entre os residentes)

– atratividade internacional (proporção de pessoas de outras nacionalidades entre os residentes)

– desenvolvimento humano (IDH municipal)

– mobilidade urbana (vias urbanizadas e tráfego em aeroportos)

Ambiente Cultural e Empreendedorismo Criativo:

– indústrias criativas (proporção de empreendimentos criativos)

– salários (em relação à média salarial na cidade)

– patentes (número de patentes per capita)

– oferta cultural (número de museus per capita na cidade)

– incentivo público à cultura (gastos públicos diretos com cultura per capita).

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Diego Santos Vieira de Jesus

É docente e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) e coordenador do Laboratório de Cidades Criativas da ESPM-Rio.

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