Comunicação

Comunicação Não-violenta: entender as necessidades das pessoas diminui a chance de conflitos

Ver as necessidades universais atendidas traz paz e conforto. Quando isso não ocorre, a chance de discussões sem sentido e reações agressivas é maior

O que é mais importante para você neste momento? Descanso? Segurança? Respeito? Agora pense numa situação desafiadora que esteja enfrentando: do que você está tentando cuidar nesta situação em particular? Quem sabe você busca mais liberdade? Ou diversão? Ou afeto? E aquela pessoa que reagiu de forma mais dura naquela conversa: o que poderia tê-la motivado a dizer o que disse? Necessidade de mais atenção? Ou participação? Ou, ainda, apoio?

Essas perguntas buscam compreender os reais interesses das pessoas. E aí está a chave: real interesse. Poderíamos traduzir este termo por necessidades universais, expressão utilizada por Abraham Maslow para se referir a um grupo de valores que todos nós, enquanto seres humanos, partilhamos.

Podem se tratar de necessidades físicas, tais como sono, nutrição, sede, calor e abrigo, ou necessidades mais subjetivas, vinculadas à segurança e autonomia, como, por exemplo, reconhecimento, acolhimento, realização, pertencimento, liberdade, etc.

Mas uma coisa é certa: em qualquer interação humana as necessidades estão em jogo. Numa reunião com colaboradores, num telefonema com cliente, num feedback, na hora do cafezinho… em todos estes momentos, as pessoas estão tentando expressar seus interesses, de modo a vê-los atendidos. Para uma comunicação assertiva, temos de não apenas manifestar com clareza nosso próprio interesse, como também buscar compreender as necessidades das outras pessoas.

Marshall Rosenberg, inspirado no trabalho de Carl Rogers e de Abraham Maslow, fundou a Comunicação Não-Violenta (CNV), um processo de comunicação que valoriza a conexão entre as pessoas, através do cuidado à escuta dos seus sentimentos e necessidades.

Rosenberg fez de sua vida um experimento e descobriu que são justamente as necessidades universais que nos movem, a todo momento. Vê-las atendidas traz paz e conforto. Em contrapartida, se essas necessidades não estão sendo satisfeitas, a chance de discussões sem sentido e reações agressivas acontecerem é maior.

Hoje já se sabe que empresas que perseveram mesmo em meio a crises são aquelas em que seus colaboradores se sentem seguros para expor ideias diferentes, num ambiente em que há confiança e no qual as relações entre as pessoas são prioridade.

Assim, focar nas necessidades é focar em nosso bem-estar, no bem-estar da nossa equipe e, portanto, também da nossa empresa.

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Júlia do Couto e Silva Freitas

Advogada e mediadora. Mestre em Estudos de Paz e Transformação de Conflitos pela Cátedra de Estudos de Paz da UNESCO da Universidade Innsbruck, na Áustria. Instrutora em cursos de mediação, negociação, liderança, comunicação e justiça restaurativa. Sócia da Teia - consultoria empresarial, que consolida culturas de comunicação assertiva nas organizações.

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