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Brand experience acontece em cada ponto de contato com os consumidores

Entenda como o brand experience atua nas interações com a marca e impacta os resultados do negócio

Quando pensamos na gestão de customer experience (CX) — experiência do cliente, em português —, geralmente nos vem à cabeça resolver problemas provenientes de diferentes áreas, como logística, atendimento, assistência técnica, qualidade do produto, embalagem, etc. No entanto, brand experience (BX) — ou experiência da marca — também tem um papel muito importante na experiência do cliente. Eu diria até fundamental!

Afinal, ele gera identificação dos consumidores com a marca; reengaja e revigora os clientes existentes (retém); cria um elo emocional forte e consistente (fideliza); e é memorável pelas razões certas (estratégico).

Entretanto, muitas vezes o BX não é considerado na gestão de CX porque se assume que ele já faz parte do contexto natural da marca. Mas não é bem assim.

O conceito de brand experience é bem amplo: refere-se às respostas subjetivas e internas do consumidor (sensações, sentimentos e cognições), além de reações comportamentais evocadas por estímulos relacionados à marca — como cores, formas, fontes, elementos de design de fundo, slogans, mascotes e personagens — que fazem parte da identidade da mesma, da embalagem, da comunicação e dos ambientes físicos (como lojas e eventos), segundo o pesquisador J. Josko Brakus e outros especialistas no assunto.

O BX acontece ao longo de toda a jornada do consumidor, em múltiplos pontos de contato com a marca.

Para mim, ele é a alma da experiência do cliente. Porque não tem como um consumidor se identificar com uma marca, criar emoções positivas ou construir um relacionamento de longo prazo se a experiência com ela for neutra. Daí sua importância estratégica tanto para o CX quanto para o negócio da empresa, e o papel fundamental do marketing nisso tudo.

Consumidores voltam a eventos recorrentes por causa de experiências positivas que ficaram gravadas na memória. Vivências em diferentes dimensões, como sensorial, emocional, intelectual e comportamental.

Essas mesmas dimensões também podem ser associadas às marcas:

• Algumas são mais ligadas ao intelectual, como a Lego;

• Outras, ao sensorial, como a Starbucks;

• Há aquelas mais conectadas ao emocional, como a Disney;

• E outras ao comportamental, como a Adidas.

Tudo isso cria percepção, sensação e emoção relacionadas à marca, e constrói um vínculo forte com o consumidor.

Segundo o autor norte-americano Seth Godin, as pessoas não compram produtos ou serviços, mas sim relações, histórias e magia. Esse entendimento é a grande oportunidade para as marcas. Por isso, muitas delas estão no coração das pessoas, e outras, ainda não.

Para citar alguns bons exemplos de brand experience, quando penso, como consumidora, em experiências positivas com marcas, me vêm à cabeça:

• A campanha institucional mais antiga da marca Samsung, “Avestruz”. Superemocional e inspiradora, tangibiliza seu posicionamento global. Toca meu coração, o que remete ao “amor”;

• A loja Nespresso, no Shopping Morumbi, em São Paulo, onde exploram o multissensorial da marca (visão, audição, sabor, odor e tato), incluindo ações de ESG (Environmental, Social and Governance ou Ambiental, Social e Governança, em português). Me dá orgulho de pertencer, ou seja, me traz “contentamento”;

• A Natura, pelas iniciativas de ESG como “Amazônia Viva”, que contribui para a conservação de dois milhões de hectares da Floresta Amazônica, e “Mais Beleza, Menos Lixo”, voltada à gestão de resíduos com foco em sustentabilidade. Fortalece meu senso de contribuição com o planeta, o que desperta o meu “otimismo”.

Muitas emoções são evocadas pelas experiências com as marcas, mas elas (as emoções) não são naturais, nem acontecem por acaso. São o resultado de uma estratégia de brand experience bem pensada e executada.

Para reforçar a questão do ESG: de acordo com a pesquisa “Previsões de Fidelidade do Cliente 2025 e Além”, da Comarch, multinacional polonesa de tecnologia, 51,96% dos consumidores permaneceriam fiéis a marcas com práticas ecologicamente corretas.

Para finalizar, afirmo que o brand experience é estratégico. Precisa ter fundamento, relevância, consistência, continuidade e pensar, de forma holística, o “o quê” e o “como” da marca para construir algo que realmente faça a diferença na vida das pessoas e, consequentemente, no negócio da empresa. E com uma execução outstanding, ou seja, uma entrega de excelência, de preferência.

Como afirmou o especialista norte-americano em storytelling de marca Jonah Sachs, “sua marca é uma história que se desenrola em todos os pontos de contato com os clientes”.

E essa história não se cria, nem se desenrola sozinha. Brand experience também deve estar na agenda da gestão de experiência do cliente.

Andrea Naccarati de Mello

Consultora de marketing, escritora, editora e professora da ESPM. Trinta anos de experiência em Marketing, tendo atuado como executiva em multinacionais como Samsung, Mondelez, Unilever. É fundadora e CEO da Robecca & Co., Consultoria em Branding, CX, CRM, Inteligência de Mercado, Fidelização de Clientes e Editora.

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