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Aposta para o futuro do Brasil: digitalização acelerada dos meios de pagamento

Assunto foi abordado em texto de Leonardo Trevisan – jornalista especializado em economia, política governamental e externa – publicado na edição 116 da revista ESPM

A era do “Estado-dependência” fechou seu ciclo, por absoluto esgotamento de possibilidades de sobrevivência. O futuro passa por investir nos diferenciais que farão esta nação ainda maior: digitalização acelerada, crescimento da agricultura e geração de energia limpa! É o que apontou o jornalista Leonardo Trevisan, especializado em economia, política governamental e externa e internacionalização do mercado de trabalho, no texto Percepção de futuro? Três apostas que valem “todas as fichas”, publicado na edição 116 da Revista ESPM.

Confira a seguir um trecho dessa matéria em que o jornalista revela uma de suas apostas: a digitalização acelerada dos meios de pagamento.

A partir dessa mudança no modelo de expectativas, é possível pensar em apostas para o futuro, principalmente em termos das profundas transformações geradas pela chegada da realidade digital. Até mesmo quando pensamos, também, em moeda. Uma constatação essencial: o país, por exemplo, já desenvolveu uma significativa ansiedade pela utilização de meios de pagamento digital. Essa é a primeira aposta: o Brasil está entre os seis primeiros países no uso do celular, enquanto porcentagem da população, para todo tipo de transação eletrônica. Esse fato terá seu peso na aceitação nas duas próximas décadas da moeda digital, com os seus reflexos na expansão econômica dos brasileiros.

Basta observar o que acontece em torno das criptomoedas, seja quanto à recém-lançada moeda do Facebook, a libra (e já muito famosa), seja quanto ao já tradicional bitcoin. Não estão sozinhas. Existem mais de dois mil ativos digitais parecidos, que literalmente provocam grandes mudanças no sistema financeiro tradicional. O que interessa nessa história não é só a novidade de cada nova criptomoeda que aparece. O importante é a difusão do uso do blockchain implícito em cada novo ativo digital.

O blockchain foi desenvolvido em 2008 como apoio básico para o bitcoin. Foi pensado como o mecanismo de segurança que garantia o armazenamento e a transferência do dinheiro digital. Ao longo do tempo (afinal, o blockchain já tem mais de uma década), se transformou em ferramenta que garante as mais diferentes formas de transações e contratos digitais, dispensando toda a parafernália embutida nas infraestruturas tradicionais de garantias, como bancos ou cartórios. Fazer negócio com dinheiro digital depende só do celular. E com custo muito mais barato. O que o blockchain faz é fundir moedas e softwares. E de modo todo descentralizado.

O mecanismo de transações digitais chamado blockchain se descolou do “pai” bitcoin e ganhou vida própria, passando a ser usado pelas mais diferentes empresas, de companhias de seguros a vendedor de energia solar. De plano de saúde à maquininha de pagamento. É com o blockchain que se garante pagamento seguro e rápido, sem taxas, de qualquer produto em qualquer cadeia de suprimento ou de comércio.

O futuro digital em torno da moeda está atrelado ao bom resultado, já comprovado pelo blockchain. Dessa garantia nascem as e-wallets, as carteiras digitais, os aplicativos usados em celulares e tablets que permitem pagar qualquer compra aproximando o aparelho móvel de uma máquina ou de um leitor de código tipo QR. Sem qualquer senha. É preciso saber que 70% da população chinesa economicamente ativa usa carteiras digitais para pagar até comida na rua, segundo a Adyen, instituição holandesa especializada no compliance da indústria de pagamento global. A maior empresa desse sistema de pagamento na China é a Alibaba. Apple, Google e Samsung seguiram o desenvolvimento de sistemas iguais.

O que interessa é que o Brasil avança na mesma direção. Sem muito alarde. Como mostrou a edição de 19 de julho de 2019 do jornal Valor Econômico, há dois anos, a Prefeitura de Belo Horizonte fez uma parceria com a Microsoft para usar blockchain para controle das áreas de estacionamento da cidade. No setor privado, a velocidade de adoção desse sistema de pagamento instantâneo é bem significativa. Pioneiros como Magazine Luiza, iFood, Rappi e Dafiti, entre muitos outros, adotaram o sistema. O importante é a velocidade de adesão: no primeiro trimestre de 2019, a adesão à carteira digital cresceu 65%, depois de ter crescido 50% ao longo de 2018. O dado é também da Adyen.

Uma observação importante: é o blockchain que permite o avanço seguro do open banking. Para avaliar melhor o que a carteira digital fará pela expansão da economia brasileira, basta acompanhar o que aconteceu, com a abertura via fim de monopólio de oferta, com as famosas “maquininhas de pagamento” ainda acopladas aos cartões de crédito tradicionais. Desde o primeiro trimestre de 2019, quando o monopólio das “maquininhas” acabou na prática, o vertiginoso crescimento dessa opção de pagamento fez mais pela expansão do empreendedorismo do que as duas últimas décadas de ações oficiais de apoio à livre iniciativa.

Ter como receber de modo digital, sem custos excessivos, como o futuro já sinaliza, libertará um sem-número de negócios, de todos os tamanhos. Esse caminho, o da carteira digital, é sem volta no Brasil, um país que já aderiu ao celular como equipamento de múltiplas funções. Esse meio novo de transações baratas e seguras, sem “sócios”, será essencial no roteiro de construção de futuro no Brasil.

O texto completo você confere na edição 116 da Revista da ESPM

Revista ESPM

Publicação trimestral da ESPM. Linha editorial equilibra os mundos acadêmico e dos negócios. O objetivo principal da Revista é o de estimular a geração de artigos e estudos produzidos por professores da ESPM, especialistas do mercado e grandes nomes do mercado nacional nas áreas de administração, marketing e comunicação.

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