Negócios

“Vejo muitas diferenças entre Trump e Biden – mas não em relação ao protecionismo”

Essa é a visão da coordenadora do curso de Relações Internacionais da ESPM de Porto Alegre, Ana Regina Falkembach Simão

Em um momento histórico em diversos sentidos, principalmente pela eleição de Biden e a pandemia, que dominam e impactam os rumos das relações mundiais, nada melhor do que olhar para tudo com as lentes do que chamamos de Relações Internacionais. É o que buscamos neste papo rápido com a Ana Regina Falkembach Simão, Coordenadora do curso de Relações Internacionais da ESPM Porto Alegre.

Doutora em História pela UFRGS e editora da Século XXI: Revista de Relações Internacionais, publicada pela ESPM, é pesquisadora nas áreas de Política Internacional, Política Externa Brasileira e Relações Internacionais e Cidades – além, de liderar o Grupo de Pesquisa CNPq – Novos Polos de Poder e a Política Internacional.

As tendências protecionistas que muitas nações adotaram recentemente são fruto direto das decisões nesse sentido das duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China?

De fato temos assistido, nos últimos anos, um embate bastante severo e a adoção de medidas protecionistas bastante robustas – tanto pelos Estados Unidos quanto pela China, os dois maiores gigantes da economia mundial. Não são os únicos que estabeleceram esse tipo de medida, claro, mas, de fato, as vindas deles têm um impacto muito grande na economia internacional e nas próprias relações políticas em nível internacional. É importante que se diga que o ano de 2018 representou a primeira queda no comércio internacional em dez anos. É importante pontuar: isso provocou uma desaceleração da economia global – acompanhada de uma forte retórica protecionista desses dois grandes países. Vale destacar que, entre 2018 e 2019, mais de mil medidas protecionistas foram implantadas no mundo. Isso significa 40% acima da média dos três anos anteriores. Essa disputa comercial protagonizada pelas duas potências representa cerca de 24% das medidas protecionistas adotadas desde então. Ou seja: ¼ das decisões nesse sentido na economia mundial.

A pandemia, de alguma forma, acelerou ou pode acelerar a adoção de ainda mais medidas protecionistas pelo mundo todo, afetando as relações internacionais no futuro próximo?

Aí chega a pandemia… E o que ela provoca? Me parece que ela não motivou uma nova agenda, mas tem potencializado agendas que já estavam muito bem colocadas – caso da retórica protecionista, que levam a ações de fato. Acredito que, num curto espaço de tempo, vamos sim conviver com essas medidas. A grande pergunta para o que virá: “e o Biden? Ele vai mudar as políticas protecionistas de seu país – e isso pode provocar uma resposta menos protecionista chinesa?” Eu não vejo isso em Biden. Há diferenças bastante significativas entre ele e Trump, mas não em relação ao protecionismo. As medidas protecionistas, portanto, tendem a continuar. Essa é uma agenda que terá continuidade.

Ana Regina Falkembach Simão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da ESPM Porto Alegre
Jorge Tarquini

Curador do #Trendings.

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