Ponto de Vista

O mundo corporativo também vive de modinhas

Assim como na balada, na escola ou na vida, o universo dos negócios também experimenta palavras, ideias e expressões que, de tão utilizadas, se banalizam – quando não são, em si, banalidades. Algumas sobrevivem. Outras apenas “saem de moda”

Team work/teambuilding, cultura da mudança, sinergia, motivação, áreas de eficácia, empowerment, mentoria, quebra de paradigma, empatia (ou rapport), derrubada da hierarquia, clima, engajamento…

A lista de expressões que entram e saem do vocabulário das empresas nunca terá fim. Afinal, o que não falta no universo corporativo é algum consultor criando (e vendendo) novas teorias/ferramentas que vão revolucionar as empresas, resolver problemas e promover o mundo ideal de paz e lucros.

Mas como separar o joio do trigo? Como identificar o que realmente tem o poder de somar, influenciar no ambiente da empresa e em suas rotinas e promover crescimento real – e diferenciar de simples platitudes ditas com palavrinhas bonitas – que ficarão sendo repetidas à exaustão até que uma nova expressão seja disseminada?

Se eu tivesse a resposta, seria consultor (venderia a consultoria “Como não cair em esparrelas das modinhas corporativas” – e passaria um ano treinando todos os níveis hierárquicos da empresa, pois mudar cultura leva tempo…).

Posso soar meio cínico, mas não acredito sequer que um comprimido para dor de cabeça sirva para todos – que dirá soluções “prêt-à-porter”, que sirvam para todo tipo de empresa, com todos os perfis de equipe, com diferentes momentos de vida e de situação financeira e de mercado – e em qualquer lugar do mundo.

São bem-vindas, claro, todas as ideias que possam tornar o trabalho algo mais leve e a convivência, algo mais civilizado. E que, no final do dia, promova o lucro das empresas. Essa é a parte que mais me incomoda: vende-se um discurso que parece colocar as pessoas em primeiro lugar. Parece…

Eu me sentiria menos cético se, para cada reunião para apresentar conceitos inovadores, as pessoas não tentassem transformar profissionais em papagaios, fingindo entender (e se engajar) na novidade – e sem esconder sobre o que, de verdade, estamos falando: metas, resultados, hierarquias…

Ao menos eu me sentiria mais respeitado com essa clareza.

Jorge Tarquini

Curador do #Trendings.

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