Celular é um exemplo de produto que se torna obsoleto rapidamente Foto: Shutterstock
“O coronavírus acabou com o mundo que conhecíamos: um século de mandamento consumista baseado no desejo e não na necessidade”. A afirmação é de Fah Maioli, coautora do livro Manual de Coolhunting Métodos e Práticas, que palestrou em um evento online da ESPM.
Segundo a analista de tendências, as pessoas passaram a consumir apenas o essencial durante a quarentena e assim perceberam que “não precisam de toda aquela massa de coisas que tinham”. Essa mudança de comportamento, que, segundo Maioli, já vinha se desenhando antes do coronavírus, deverá provocar uma transformação na indústria de bens de consumo. “Acabou a obsolescência programada que durou 40 ou 50 anos. Estudamos isso nas tendências: quando um fio se puxa toda trama se desfaz. É uma relação em cadeia, isso vai rolar para todos os setores de consumo.”
Para a especialista, que vive em Milão há mais de 12 anos, essa não deve ser uma mudança temporária. “É cedo falar de um comportamento, porque saímos disso na Itália há duas ou três semanas, mas tenho conversado com muita gente e isso está continuando”, comentou Maioli. “No mundo antigo, iriamos terminar a crise e voltar com tudo ao normal. Mas as coisas não estão voltando ao normal. Isso vai chegar aí. O consumo vai mudar. Não é uma crise de consumo, mas sim de comportamento de consumo. As pessoas estão mudando.”
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