Tecnologia

Conheça as principais tendências de tecnologia para 2025

Edney Souza e Rodrigo Terra, professores da ESPM, revelam quais são as tendências de tecnologia para 2025 e os maiores desafios para profissionais e empresas

As tendências de tecnologia se transformam rapidamente, assim como a própria área. O mercado é versátil e muda constantemente, trazendo grandes desafios para profissionais e empresas.

No episódio #89 do Lifelong Cast, Edney Souza, professor da ESPM e conselheiro de inovação e tecnologia, e Rodrigo Terra, professor de futurismo da ESPM, discutiram essas questões e como se preparar para o que vem pela frente.

Para Souza, o ano de 2024 foi marcado pela ascensão da inteligência artificial (IA) generativa. “Acho que foi o ano em que as empresas começaram a perceber que tinham ganhos reais de produtividade”, explicou. “O pessoal tentou emplacar, ainda sem sucesso, novos dispositivos com inteligência artificial embutida.”

Terra destacou a crise do modelo de negócios – que começou no final de 2022 e continuou em 2023 – dentro do setor tecnológico, que influencia todos os outros mercados: “Tivemos as grandes organizações de tecnologia fazendo demissões em massa, um efeito cascata em diversas outras indústrias”. E acrescentou: “Você vê uma mudança muito grande de altos investimentos naquilo que seria uma diversificação do olhar de inovação dentro dessas empresas”.

Tendências de tecnologia para 2025

Para 2025, os dois professores apontaram o desenvolvimento de novos modelos de inteligência artificial, a geopolítica da tecnologia e a computação quântica entre as principais tendências de tecnologia para o ano.

  • Novos modelos de desenvolvimento de IA

A empresa chinesa DeepSeek agitou o mercado. “Muita gente fala que o DeepSeek trouxe uma disrupção para o mundo da inteligência artificial, mas a verdadeira disrupção não foi o uso do modelo de treinamento”, contou Souza.

“Foi uma nova técnica que eles descobriram, em que você pega um modelo parrudo — o DeepSeek foi treinado com os clusters NVIDIA de alta capacidade —, pede para ele resolver problemas e, com base nisso, vai absorvendo as respostas e transferindo o aprendizado para um modelo menor”, explicou o profissional.

A ideia é treinar um modelo menor de inteligência artificial a partir de um maior, mais potente, usando uma abordagem de código aberto (open source), ou seja, um sistema de inteligência artificial que é disponibilizado com permissão para uso, estudo, modificação e compartilhamento. Em vez de criar tudo do zero, o modelo menor aprende com as respostas geradas pelo maior — o que reduz significativamente os custos. “Se você quiser desenvolver uma IA para um uso específico, hoje é possível fazer isso com cerca de 50 dólares”, ressaltou.

  • Geopolítica da tecnologia

Terra ressaltou que a relação entre economia e tecnologia será cada vez mais forte em 2025, principalmente com a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, cenário que reforça o conceito de geopolítica da tecnologia.

Entre as tendências, ambos especialistas destacaram que os investimentos em IA virão dos próprios países e não de investidores, como os de Wall Street, por exemplo. Souza citou iniciativas como o Stargate, do governo Trump, e as empreitadas na área anunciadas pela Europa e pelo Japão.

Trata-se de um fator que pode servir tanto como ponto de partida quanto como uma nova forma de armamento em conflitos globais. Segundo Terra, a Europa vai se armar; Trump se reúne com Vladimir Putin, presidente da Rússia, sem envolver a comunidade europeia; além de nações deste continente fazendo armamento pela Organização do Tratado do Atlântico do Norte (OTAN).

“O que vai ser esse armamento? Será de quem tiver mais eficiência para integrar a inteligência artificial em robôs usados em campo de batalha”, afirmou Terra. Já Souza destacou que essa questão começará a se tornar sobre soberania nacional: “Precisamos acompanhar o que os governos estão pensando e planejando, porque isso vai influenciar um pouco para onde vai a IA. A economia e a tecnologia começam a ficar intrinsecamente ligadas”.

  • Computação quântica

De acordo com Terra, a computação quântica é um tema discutido há bastante tempo Ele citou um anúncio recente feito por Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft.

“Ele anunciou um novo paradigma de chip quântico que tem o potencial de ter milhões de qubits (unidade básica de informação na computação quântica, equivalente ao bit binário na computação clássica) dentro de um único processador. Hoje, os processadores quânticos mais avançados têm mil e poucos qubits”, afirmou o professor.

A Microsoft apresentou o protótipo desse chip, mas ainda não publicou nenhuma pesquisa científica sobre o tema, o que levanta dúvidas quanto à legitimidade da inovação.

“O crescimento tecnológico está sendo pautado pela ciência”, declarou Terra. “A Microsoft alega ter criado um novo paradigma e, para isso, desenvolvido o núcleo do processador com materiais raros, capazes de isolar partículas e gerar qubits por meio da manipulação dessas partículas.”

Outras grandes corporações, como a IBM e o Google, já têm chips de 1.100 e 200 qubits, por exemplo. “A computação quântica deve ter um avanço neste ano. Ela já vinha apresentando um progresso significativo no ano passado. Agora, ao invés de tentar crescer em qubits, estão tentando melhorar a correção de erros”, explicou.

Isso quer dizer que, no chip, o qubit não representa apenas 0 ou 1: ele pode assumir qualquer intervalo de valor entre esses dois números. Assim, quando é feito um cálculo baseado em probabilidade, se o algoritmo quântico foi criado adequadamente, ele pode dar a resposta de forma direta.

Isso pode permitir, por exemplo, respostas para questões complexas, como: qual é a chave de criptografia para decifrar determinado código? Com qual molécula é possível desenvolver uma nova vacina? Qual é a probabilidade de uma ação atingir certo patamar, considerando clima, economia e comportamento dos consumidores?

Confira também quais são as outras tendências de tecnologia para 2025 previstas por Souza e Terra no episódio #89 do Lifelong Cast:

Isabela Moreira

Repórter do Trendings

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