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Mentira no currículo: como as empresas descobrem e as consequências

Filipe Oliveira
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75% dos brasileiros mentem no currículo. Conversamos com especialistas em direito e recrutamento e seleção para entender as possíveis consequências e como as empresas descobrem essas mentirinhas 

O ano de 2019 está marcado pelas mentiras. Não, não estamos falando apenas das fake news. Mas também das “turbinadas” no currículo de figuras públicas, políticos, ministros e até mesmo uma renomada pesquisadora.

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria DNA Outplacement, 75% dos brasileiros mentem no currículo. Ou seja, três a cada quatro pessoas. O levantamento – feito durante seis meses com 500 empresas – mostra que 48% dos currículos tinham distorções relacionadas aos salários atuais ou do último emprego. O outro ponto de maior distorção nos CVs é a fluência em inglês que costuma ter informações incorretas em 41% dos casos.

Adriana Gomes, Líder do Programa de Integração Nacional de Carreiras da ESPM, explica que tanto profissionais jovens quanto experientes usam esse tipo de artificio. “Muitas vezes a motivação é a insegurança e o desejo de conquistar uma posição que está além das qualificações que a pessoa possuí”, avalia a especialista, que também é diretora do site Vida&Carreira. “São jovens e também profissionais que você já mais duvidaria porque têm bastante conhecimento, mas não têm a chancela de uma instituição”.

No caso do inglês, por exemplo, Gomes explica que muitos candidatos se sentiam seguros para mentir porque não utilizavam o idioma em sua rotina de trabalho. “Mas algumas organizações efetivamente utilizam o idioma e se a pessoa não tem fluência ou ao menos um nível avançado, não tem condições de exercer a função”.

A especialista recorda que já recrutou um candidato mentiroso quando atuava como headhunter. Depois de passar por todas as etapas de um processo seletivo e ser contratado o profissional da área de TI nunca entregou seu certificado de conclusão de curso. “Quatro meses depois descobrimos que ele não havia concluído sua graduação. Ele foi demitido sumariamente”.

Mas será que, além da demissão, o profissional também poderia sofrer consequências jurídicas? Taís Borja Gasparian, sócia titular da Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo, Gasparian – Advogados, diz que nunca viu alguém ser processado por essa razão. “Também não vejo qualquer crime nessa questão. Eticamente, contudo, é um problema”, analisa a especialista. “Caso tenha sido produzido um enorme dano ao contratante, e ele terá que provar isso, então ele poderá processar o candidato contratado, por perdas e danos”.

Mentiras no setor público

Apesar de não terem nenhuma consequência jurídica, casos de figuras públicas como os citados no começo dessa matéria provocam outro efeito: a quebra de confiança. “Uma exposição como essa é muito depreciativa, independente do setor que a pessoa esteja. É uma mentira que foi revelada e isso nos leva a questionar a ética dessas pessoas e todas as outras qualidades ou competências que ela tem”, explica Adriana. “Acho que é uma vergonha e a vergonha é um freio social”.

Pode virar crime 

O senador Jorge Kajuru (PSB/GO) propôs em um Projeto de Lei uma multa e reclusão de três a seis anos para quem mentir no currículo. No caso de servidores público, a pena seria aumentada em um sexto. “Esse projeto de lei visa tipificar e criminalizar os agentes que se beneficiam de falsos títulos acadêmicos, sejam eles mostrados, falados ou insinuados, de forma a induzir ao erro a população”, escreveu Kajuru.

Sorria, você está sendo avaliado  

Candidato mentiroso

De acordo com Adriana, existem empresas no mercado especializadas na checagem da veracidade de certificações no exterior. Além disso, os próprios recrutadores costumam fazer e refazer perguntas com o objetivo de checar possíveis inconsistências no discurso do candidato.

Os recrutadores também avaliam alguns sinais de possível mentira durante a entrevista:

– Candidato costuma se mexer na cadeira

– Passar a mão no nariz durante respostas

– Demonstra desconforto durante uma resposta

– Pupila tende a dilatar durante quando passa uma informação

“São micro expressões que mostram que naquela situação há algo inconsistente”, explica Adriana.

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Filipe Oliveira

Editor do #Trendings.

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