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“Para mitigar as desigualdades no mercado de trabalho, temos que olhar para as soft skills”

Filipe Oliveira
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É o que afirmou Frida Polli, cofundadora e CEO da plataforma de recrutamento Pymetrics Inc, em painel sobre qualificação da força de trabalho na Agenda Davos

A pandemia de covid-19 acelerou mudanças que já estavam ocorrendo no mercado de trabalho, especialmente uma piora na situação dos trabalhadores com baixa qualificação. A análise é de Angel Gurría, secretário geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que participou do painel virtual Skilling the Global Workforce (Qualificando a força de trabalho global), no Agenda Davos, evento do Fórum Econômico Mundial.

Para o secretário da OCDE, a crise deste período põe em risco o futuro não só de trabalhadores que já estavam no mercado, mas também os que estão ingressando. “Se aqueles que perderem seus trabalhos ficarem inativos por um longo período, as habilidades corroem e sua ligação com mercado de trabalho pode enfraquecer. Já aqueles que estão entrando no mercado de trabalho durante uma crise tem menos chances de a adquirir a experiência e o treinamento que teriam em tempos normais. Isso pode arruinar a carreira inteira dessas pessoas”.

Gurría lembra que algumas empresas que tiveram que reduzir a carga horária de seus funcionários aproveitaram esse período para investir em treinamento dos colaboradores. Na avaliação do secretário, isso possibilitará que essas organizações se recuperem mais rapidamente da crise e dará condições para que seus funcionários estejam melhor preparados para o futuro pós-covid. Porém, aqueles que não receberam treinamento agora, têm de 30 a 40% menos chances de serem treinados para os desafios do futuro, segundo o secretário.

Jonas Prising, CEO do ManpowerGroup, uma consultoria norte-americana de gestão de pessoas, também reconhece que os trabalhadores de menor qualificação foram os mais impactados pela pandemia. O executivo, porém, vê com otimismo um aspecto deste período: um maior interesse na requalificação de profissionais. “Eu diria que empregadores, em geral, nos últimos cinco anos se tornaram cada vez mais interessados e envolvidos no treinamento e desenvolvimento de seus funcionários”.

Da esquerda para a direita: Sally Bundock, apresentadora da BBC, Angel Gurría, secretário geral da OCDE, Bandar Hajjar, presidente do Islamic Development Bank, Frida Polli, CEO da Pymetrics Inc., Jonas Prising, CEO do ManpowerGroup e Saadia Zahidi, diretora administrativa do Fórum Econômico Mundial
Da esquerda para a direita: Sally Bundock, apresentadora da BBC, Angel Gurría, secretário geral da OCDE, Bandar Hajjar, presidente do Islamic Development Bank, Frida Polli, CEO da Pymetrics Inc., Jonas Prising, CEO do ManpowerGroup, e Saadia Zahidi, diretora administrativa do Fórum Econômico Mundial

Prising citou como exemplo a experiência positiva que tem observado em sua própria empresa, o investimento na qualificação de funcionários para que assumam posições de alta qualificação. “Vemos que, incrementando mudanças nas habilidades dessas pessoas, em um período de curto prazo você pode os mover para diferentes trabalhos que são melhor remunerados”.

Para o executivo, um passo importante para o combate as desigualdades entre profissionais qualificados e não qualificados é a atuação poder público. “As empresas estão fazendo um bom trabalho, os indivíduos estão se tornando mais conscientes, mas os mecanismos de transformação dos governos não estão lá”, afirmou Prising. “Precisamos mudar de esquemas de proteção de empregos que são prevalentes na maioria dos mercados para esquemas de criação de empregos, não protegendo o trabalho, mas protegendo o trabalhador. Isso significa que precisamos mover as pessoas dos trabalhos que eles têm para novas oportunidades”.

Neste cenário, as soft skills devem ter uma importância cada vez maior. É o que acredita Frida Polli, cofundadora e CEO da Pymetrics Inc, uma plataforma de recrutamento dos EUA. A executiva citou estudos que apontam que as soft skills são bem divididas entre a população, sejam trabalhadores qualificados ou não. Ela acredita que essas habilidades cognitivas, sociais e emocionais serão importantes para reduzir as desigualdades no mercado de trabalho. “O ideal por trás das soft skills é entender que determinada pessoa tem aptidão para certos trabalhos de alta qualificação, então vamos dar treinamento personalizado para ela executar essa função”. A executiva complementou sua fala lembrando que a tecnologia pode tornar esse processo de requalificação escalável, possibilitando treinamentos personalizados online para qualificação dos profissionais.

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Filipe Oliveira

Editor do #Trendings.

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