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Os desafios da indústria da moda para pequenos empreendedores

Diego Santos Vieira de Jesus
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Estudo realizado na ESPM-Rio revela os desafios dos pequenos empresários que atuam na indústria da moda – e aponta quais são as competências indispensáveis para vencê-los

A crise político-econômica aflora cenários de precariedade e falta de recursos. A concorrência com produtos estrangeiros se acentua. O desafio de equilibrar atividades criativas e de gestão é cada vez maior. Quais competências os pequenos empreendedores criativos precisam aperfeiçoar para superar essas (e muitas outras) dificuldades em seus negócios?

É o que busca responder a dissertação “Estratégias para pequenos empreendedores da moda no Rio de Janeiro: um diagnóstico sobre as dificuldades enfrentadas e as competências empreendedoras fundamentais para superação”, de Luiza Calado. A pesquisa foi orientada pelo professor Daniel Kamlot dentro do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) da ESPM-Rio.

As pedras no caminho do empreendedor criativo

O estudo aponta o contexto de crise econômica, política e social não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil, como maior fonte das dificuldades para os pequenos empreendedores criativos: queda nas vendas, aumento do custo da matéria-prima, especulação imobiliária e dilemas de sustentabilidade financeira da empresa. A concorrência com produtos estrangeiros, em especial os chineses, no caso da moda, empurra ainda mais para baixo os índices de vendas. Outro ponto central advém do regime de tributação vigente, que cria condições desfavoráveis para o lucro e a contratação de colaboradores via CLT.

Do ponto de vista de abertura e conquista de novos mercados, considerando as assimetrias no território, Calado identificou ainda que um dos principais desafios do pequeno empreendedor criativo é a dificuldade em “encantar o público local” em cidades do interior e acessar outras praças – além da compra de insumos.

Questões técnicas também desafiam esse empreendedor: falta de cumprimento de prazo pelos fornecedores, dificuldades de treinar a equipe e gerir o negócio e até achar equilíbrio entre as atividades criativas e de gestão.

Como enfrentar as dificuldades cotidianas

Veja o que Calado propõe diante de algumas situações que fazem parte da rotina dos empreendedores:

Queda das vendas e maior concorrência estrangeira:
– o pequeno empreendedor criativo deve buscar oportunidades com a comercialização em outros canais e informações para atuar em outros mercados. Ele pode também comunicar os valores da marca e utilizar a criatividade para inovar, reforçando a originalidade do produto autoral. 

Aumento dos custos da matéria-prima:

a saída está no planejamento e na criatividade para escolher novos insumos, com um preço mais acessível, e desenvolver peças que gastem menos. 

Busca de informações, novas capacitações e outros mercados:

– a saída é por meio de planejamento e monitoramento, fundamentais para equilibrar as competências criativas e as de gestão e enfrentar a especulação imobiliária. A formação de redes também ajuda a fazer frente a esses obstáculos e a confrontar as dificuldades trazidas pelo regime de contratação e a falta de cumprimento de prazos por fornecedores.

Encantar o público em localidades interioranas:

– pequenos empreendedores criativos podem não só investir na comunicação de valores da marca, independência e autoconfiança, mas explorar também os diferenciais do produto autoral – e assim gerar empatia com esses mercados. Quando a questão é treinar a equipe e gerir o negócio, a solução é o desenvolvimento de liderança, empatia e redes. 

Precariedade e falta de recursos

– nesses casos, as competências que o pequeno empreendedor criativo precisa reunir são a busca de oportunidades, informações e capacitações – além da resiliência, criatividade para inovar e explorar a originalidade do produto autoral, formação de redes, planejamento e monitoramento.

4 categorias básicas de competências empreendedoras 

Calado também propõe uma série de competências empreendedoras para profissionais criativos, divididas em quatro conjuntos: 

As competências empreendedoras para profissionais criativos podem ser divididas em quatro conjuntos:

  • Conjunto de realização: busca de oportunidades e iniciativa; persistência; correr riscos calculados; exigência de qualidade e eficiência; comprometimento.
  • Conjunto de poder: independência e autoconfiança; persuasão e comunicação; liderança; formação de redes.
  • Conjunto de planejamento: busca de informações; estabelecimento de metas; planejamento e monitoramento.
  • Conjunto de conceito: criatividade; originalidade; empatia; resiliência; autodidatismo.
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Diego Santos Vieira de Jesus

É docente e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) e coordenador do Laboratório de Cidades Criativas da ESPM-Rio.