Ponto de Vista

Big Brother do home office

Um dos maiores desgastes proporcionados por seis meses de distanciamento social vem da vida regida por “quadradinhos”… 

No início da pandemia era o inusitado: de repente, a vida inteira foi absorvida por telas, telonas e telinhas. Como os primatas que encontram o monólito, na cena inicial de 2001: Uma odisseia no Espaço, entre curiosos, assustados e intrigados, começamos a entender o que era Zoom, Teams, Google Meet, entre outras ferramentas de reunião virtual – além, claro, de descobrirmos as chamadas coletivas pelo WhatsApp.

De saída, a diversão era imaginar se as pessoas nas aulas, reuniões e encontros com amigos estavam vestidas somente da cintura para cima – e, dela para baixo, se estavam de shorts, pijamas ou roupas de baixo.

A piada, claro, rapidamente entrou na categoria tio do pavê: perdeu a graça. Até porque “quem nunca?”… Logo a novidade passou, assim como a graça das piadas ou a curiosidade de ver como era a casa alheia, e nos sentimos literalmente “encaixotados”. Tudo ficou congelado pelas fronteiras delimitadas pelas telas.

Nada mais de “linguagem corporal”: todo mundo fica mais ou menos na mesma posição, com o mesmo enquadramento. Nada mais de nuances de voz: todo mundo fala mais ou menos na mesma frequência. Nada mais de “agir naturalmente” (até para coçar o nariz, o que você faria normalmente numa reunião presencial, vira um pânico).

Resultado: brincar de “estátua”, além de cansar o corpo (é bem limitada a gama de movimentos que as telas permitem), exaure a mente: você precisa ficar atento o tempo todo em quem está falando – sob pena de parecer desrespeitoso. Para evitar que “pareça” qualquer coisa, o protocolo é castrador.

Numa reunião presencial, você tem liberdade de movimento. Dá para mexer o café, fingir anotar algo, desviar o olhar de quem está falando. Numa reunião online, não… Fora que todo mundo está em “zoom”, num mesmo plano de imagem. Se isso, por um lado, quebra hierarquias, por outro gera a tensão de todos estarem na “berlinda” o tempo todo. Fechar a câmera, como fazem alguns estudantes em suas aulas, não é opção numa reunião de trabalho…

O objeto de desejo das pessoas, neste momento, é poder voltar a ser seres com cabeça, tronco e membros, de carne e osso e não avatares limitados por telas, telinhas e telonas.

 LEIA TAMBÉM:

Como a saúde mental afeta sua produtividade

10 dicas para ser mais produtivo no home office e no escritório

Como dar feedback: confira 8 dicas importantes sobre o tema

Jorge Tarquini

Curador do #Trendings.

Recent Posts

Líderes que transformaram o mundo dos negócios no Brasil

De fintechs a varejo, conheça as trajetórias dos líderes que transformaram diferentes setores no país

1 ano ago

10 dicas de oratória para ir bem nas apresentações de trabalho

Saiba como se preparar, manter a confiança e conversar com o público em apresentações com…

1 ano ago

Brand experience acontece em cada ponto de contato com os consumidores

Entenda como o brand experience atua nas interações com a marca e impacta os resultados…

1 ano ago

Conheça as principais tendências de tecnologia para 2025

Edney Souza e Rodrigo Terra, professores da ESPM, revelam quais são as tendências de tecnologia…

1 ano ago

Saúde mental no trabalho: os desafios para empresas e colaboradores

Os efeitos da saúde mental no trabalho vão além do nível individual e exigem adaptação…

1 ano ago

Reunião de trabalho: como organizar, conduzir e o que não fazer

Compreenda o processo de organização de uma reunião de trabalho e como aproveitá-la ao máximo.

1 ano ago

This website uses cookies.