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Big Brother do home office

Jorge Tarquini
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Um dos maiores desgastes proporcionados por seis meses de distanciamento social vem da vida regida por “quadradinhos”… 

No início da pandemia era o inusitado: de repente, a vida inteira foi absorvida por telas, telonas e telinhas. Como os primatas que encontram o monólito, na cena inicial de 2001: Uma odisseia no Espaço, entre curiosos, assustados e intrigados, começamos a entender o que era Zoom, Teams, Google Meet, entre outras ferramentas de reunião virtual – além, claro, de descobrirmos as chamadas coletivas pelo WhatsApp.

De saída, a diversão era imaginar se as pessoas nas aulas, reuniões e encontros com amigos estavam vestidas somente da cintura para cima – e, dela para baixo, se estavam de shorts, pijamas ou roupas de baixo.

A piada, claro, rapidamente entrou na categoria tio do pavê: perdeu a graça. Até porque “quem nunca?”… Logo a novidade passou, assim como a graça das piadas ou a curiosidade de ver como era a casa alheia, e nos sentimos literalmente “encaixotados”. Tudo ficou congelado pelas fronteiras delimitadas pelas telas.

Nada mais de “linguagem corporal”: todo mundo fica mais ou menos na mesma posição, com o mesmo enquadramento. Nada mais de nuances de voz: todo mundo fala mais ou menos na mesma frequência. Nada mais de “agir naturalmente” (até para coçar o nariz, o que você faria normalmente numa reunião presencial, vira um pânico).

Resultado: brincar de “estátua”, além de cansar o corpo (é bem limitada a gama de movimentos que as telas permitem), exaure a mente: você precisa ficar atento o tempo todo em quem está falando – sob pena de parecer desrespeitoso. Para evitar que “pareça” qualquer coisa, o protocolo é castrador.

Numa reunião presencial, você tem liberdade de movimento. Dá para mexer o café, fingir anotar algo, desviar o olhar de quem está falando. Numa reunião online, não… Fora que todo mundo está em “zoom”, num mesmo plano de imagem. Se isso, por um lado, quebra hierarquias, por outro gera a tensão de todos estarem na “berlinda” o tempo todo. Fechar a câmera, como fazem alguns estudantes em suas aulas, não é opção numa reunião de trabalho…

O objeto de desejo das pessoas, neste momento, é poder voltar a ser seres com cabeça, tronco e membros, de carne e osso e não avatares limitados por telas, telinhas e telonas.

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Jorge Tarquini

Curador do #Trendings.

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