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Comunicação não-violenta: o que é e como funciona

Patrícia Rodrigues
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Divergências e conflitos podem ser oportunidades de mudança e crescimento nas organizações, desde que saibamos como reagir diante dessas situações, dizem especialistas

Grande parte dos conflitos vivenciados tem sua origem no modo como nos expressamos muito mais do que pelas nossas diferenças de opinião. Essa é apenas uma das várias observações do psicólogo Marshall Rosenberg, criador do conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV).

“A CNV parte também da perspectiva de que podemos reagir às situações de forma não-agressiva e não-violenta e, portanto, mais compassivamente, em qualquer contexto, transformando-as para potencializar um encontro de interesses”, avalia Júlia do Couto e Silva Freitas, professora em cursos de atualização da ESPM.

“E, por meio de exercícios práticos, mostrar que o que antes entendíamos como divergências ou conflitos como algo sempre negativo podem ser oportunidades de mudança e de crescimento”, acrescenta Márcia Resende Araújo Santos, que dará um curso sobre Comunicação Não-Violenta na ESPM com Júlia e Ângela Martins Rorato.

Os elementos-chave da Comunicação Não-Violenta

A escuta é um desses elementos, uma vez que cada um reage de forma diferente à determinada mensagem. É um pedido ou uma ordem? Uma bronca ou um toque? Como envio ou recebo um e-mail ou uma mensagem no WhatsApp? “A tendência das pessoas é não entenderem e se tornarem mais reativas, darem uma resposta desmedida ou rebater algo”, explica Marcia. “Isso porque não existe um desenvolvimento da escuta de empatia, aquela que não abre espaço para o diálogo, que detecta as necessidades e os interesses da conversa e de quem conversa”, avalia.

Para a especialista, no mundo polarizado em que vivemos, há a tendência de conviver apenas com quem “pensa parecido”. A situação reprime os espaços de diálogo por não aceitar as diferenças de pensamento. “Por outro lado, ouvem-se muitos discursos de inclusão de grupos, mas não incluímos a do pensar”, completa a professora.

Não é só ter um grupo com diferentes tipos de pessoas, mas aceitar o ponto de vista de cada um: nessa etapa, você não precisa concordar ou discordar. “Os espaços de diálogo valem para a vida de um modo geral. Espaço é entender que, por trás de um conflito, pode haver aprendizado”, revela Júlia.

Comunicação violenta não é apenas verbal

“A violência na comunicação é muito sutil. Não é porque falo baixinho que não posso ser violenta, que se expressa na postura corporal, no tom de voz e na medida em que não olho para o interlocutor com a vontade de genuína de escutá-lo ou de abrir espaço para que ele também se expresse, no interesse que demonstro pela pessoa, pela falta de retorno”, explica Marcia.

Vantagens da Comunicação Não-Violenta

  • Melhora as relações de trabalho;
  • Faz parte do bem-estar corporativo;
  • Equilibra os relacionamentos;
  • Oferece mais qualidade de vida (independentemente do ambiente);
  • Permite maior inclusão a favor da diversidade (não apenas “ser uma empresa diversa”, mas ferramenta fundamental para as pessoas ensinarem as outras sobre diferentes diálogos e lugares de fala);
  • Transforma o público interno “no primeiro cliente” (da empresa), fortalecendo os processos como um todo para impulsionar os negócios.

Como adotar a Comunicação Não-Violenta

A CNV exige que todos (e não apenas as lideranças) façam um trabalho de autoconhecimento. Como eu reajo em determinadas situações? O que sinto? “Quanto mais as pessoas se conhecem, mais  elas conseguem se conectar e estar atentas às reações do outro, desenvolvendo inteligência e habilidades socioemocionais”, acrescenta a especialista.

O que é preciso para implantar

  • Disposição e disponibilidade de aprender;
  • Autoconhecimento;
  • Auto-observação;
  • Exercitar-se constantemente;
  • Autorresponsabilidade pelas escolhas e atitudes;
  • Capacidade de escuta;
  • Empatia com o interlocutor;
  • Autenticidade;
  • Transparência na comunicação (objetividade)
  • Checagem (Estou sendo compreendido? Todos entenderam? De que modo?);
  • Na dúvida, não ter receio de perguntar (e não criar suposições que podem se transformar em ruídos);
  • Estabelecer os “combinados” e as regras que fazem sentido para a organização.

“Hoje, observamos um perfil de liderança mais horizontal, mais comunicativo, mais colaborativo, que vem sendo introduzido na gestão das empresas até mesmo pela chegada de novas gerações. E a CNV é uma dessas ferramentas que atenta para essa nova realidade para desenvolver essas habilidades cada vez mais importantes nas relações humanas — não só de chefe para subordinado, mas entre todos.”

Além disso, no momento em que uma pessoa muda o seu jeito de comunicar e de agir, todo aquele sistema tende a se readequar a uma nova habilidade. “Claro que se todas as pessoas puderem ser capacitadas, melhores serão os resultados. Afinal, é uma das boas práticas da gestão e de relacionamento”, finaliza a professora Júlia.

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Patrícia Rodrigues

Jornalista colaboradora do Trendings.

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