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Como lidar com o “não” em processos seletivos

Felipe Altarugio
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Psicóloga e orientadora de carreiras dá dicas sobre como reagir emocionalmente à negativa de uma empresa

Você está navegando pela internet quando uma vaga de emprego chama a sua atenção. Você então se candidata àquela vaga, envia o currículo, recebe um chamado para a entrevista e… não consegue o emprego.

Quase todo mundo que vive o mercado de trabalho já passou por essa situação. E, por mais compreensível que seja a frustração em um caso como esse, entender que o “não” faz parte do processo é muito importante para o bem-estar da sua saúde mental.

Para descobrir como lidar da melhor forma possível e transformar essa negativa em aprendizado, conversamos com Marcia Portazio, psicóloga clínica, orientadora de carreiras e professora da ESPM, sobre alguns pontos centrais nesse processo.

Não se desqualifique como pessoa

Antes de mais nada, é importante entender que o “não” em uma entrevista de emprego é natural, especialmente em um contexto atual onde os profissionais passam, em média, menos tempo na mesma empresa.

Isso quer dizer que, ao longo de suas carreiras, a maioria das pessoas vai passar por diversos processos seletivos. É até natural, pensando por esse lado, que recebam mais vezes “não” do que “sim” como resposta.

Para Marcia, é necessário ter cuidado para não receber a negativa como uma rejeição pessoal:

“É importante não se sentir desqualificado como pessoa. Tentar entender a situação como ‘não fui escolhido’, ao invés de ‘fui rejeitado’. Entender também que o currículo e a entrevista refletem o seu perfil profissional. É preciso entender que somos muito mais que isso. Quando você não é escolhido, não é a sua pessoa que não está sendo escolhida, mas sim o seu perfil profissional.”

Marcia acrescenta ainda que não ser escolhido não necessariamente desqualifica as suas capacitações profissionais:

“Não ser escolhido significa que tinha alguém no processo seletivo que apresentou um perfil profissional melhor que o seu. Mas esse melhor não é absoluto. O candidato escolhido tinha um perfil melhor que o seu para aquele contexto, para aquela empresa, para aquela vaga”.

A psicóloga fala ainda sobre a dificuldade e a alta concorrência em muitos processos:

“No processo seletivo, eu estou concorrendo com um número grande de pessoas. É muito mais um processo de escolha que um processo de rejeição. É importante ter em mente que, muitas vezes, para chegar à entrevista, houve várias etapas anteriores. E você passou por todos elas”.

O “não” como ferramenta de aprendizagem

Além de compreender que não conseguir determinada vaga de emprego faz parte da carreira de qualquer um, é importante transformar essa experiência em uma oportunidade de aprender e estar mais preparado para as próximas entrevistas.

Para Marcia, o autoconhecimento é um recurso imprescindível nesta etapa:

“A partir do momento em que entendemos que não fomos escolhidos, o próximo passo é refletir: ‘Por que não fui escolhido? O que eu posso fazer para que, na próxima vez, eu tenha mais chances de ser escolhido?’. É fundamental que eu tenha uma capacidade de realizar uma autoavaliação realista, tanto das minhas competências quanto da minha performance na entrevista.

A psicóloga também reforça a importância de pesquisar sobre a vaga e sobre o que a empresa em questão espera do candidato no processo:

“É preciso também pesquisar e saber quais são os pré-requisitos para as vagas que buscamos. Esse autoconhecimento me leva a essa avaliação realista. Talvez eu identifique, por exemplo, que precise fazer algum curso, algum treinamento ou simplesmente demonstrar melhor na entrevista que eu possuo essas competências.”

O “não” como via de mão-dupla

Da mesma forma que uma empresa pode não te escolher, você pode participar do processo seletivo e chegar à conclusão de que aquela não era a vaga ideal para você.

“Se eu tenho segurança e maturidade profissional, posso usar o processo seletivo pra conhecer um pouco sobre a empresa e chegar à conclusão que eu não quero trabalhar lá. Posso perceber, por exemplo, que a empresa é desorganizada, tem um RH imaturo ou uma gestão de pessoas ruim. É possível perceber isso no processo seletivo”, explica Marcia.

Para a psicóloga, entender que o “não” é uma via de mão-dupla já pode transformar a maneira com que encaramos o processo e lidamos com uma possível rejeição. E ela ainda ressalta a importância de identificar problemas na empresa durante a entrevista:

“Depois que eu estiver dentro da empresa, eu vou ter que conviver com aquilo por um tempo e por um período muito longo no meu dia-a-dia.”

Gestão da expectativa

Marcia Portazio falou também sobre a relação das expectativas de carreira com as transformações da era digital. Como praticamente tudo hoje em dia, é preciso ter equilíbrio:

“O acesso à informação, a tudo que está na televisão, na internet, nas redes sociais, traz um ‘ideal’ de carreira. Isso pode ser positivo, porque posso me questionar sobre onde quero chegar. E, a partir daí, estabelecer metas. Só não posso esquecer que pra eu atingir essas metas, existe um caminho que precisa ser percorrido. E que, nessa trajetória, vão surgir problemas, desafios, frustrações e contrariedades. É importante ter um objetivo, mas também é importante curtir ao máximo o processo.”

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Felipe Altarugio

Jornalista colaborador do Trendings.

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