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Economia criativa: o que é e quais áreas estão relacionadas

Patrícia Rodrigues
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Fabrício Saad, professor da ESPM, explica por que o capital humano ganha cada vez mais importância para gerar soluções inovadoras e impactos sociais positivos

Na certa você já deve ter ouvido, talvez com certo alarme, que as máquinas vão dominar o mundo e substituir os homens em muitas áreas. Embora a automação já tenha transformado muito a nossa realidade e eliminado muitas profissões — especialmente as mais técnicas, táticas e/ou repetitivas — existe um segmento no qual é bem mais complicado automatizar atividades que exijam muita criatividade, imaginação e análises mais subjetivas.

É nesse contexto que o conceito da economia criativa existe: o conhecimento, também chamado de capital humano, é o principal motor para transformar a criatividade (o “combustível”) em soluções e negócios lucrativos. E essa matéria-prima de valores intangíveis tem sido a base da inovação. “No entanto, esse modelo se diferencia do tradicional pelo propósito de ir além do lucro”, explica Fabrício Saad, professor da ESPM para os temas digital marketing, innovation e economia criativa. “Ela tem um objetivo muito mais amplo de beneficiar a sociedade como um todo e de maneira cada vez mais sustentável.”

De acordo com o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, de 2019, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), essas atividades (veja o infográfico) totalizaram R$ 171,5 bilhões em 2017 e, sob a ótica do mercado de trabalho formal, contaram com 837,2 mil profissionais empregados.

Expansão da economia criativa

Se inicialmente era considerada ainda um “nicho de mercado”, relacionada a áreas como entretenimento, cultura, artes, design, artesanato, consumo, mídias e tecnologia, hoje, com empresas investindo cada vez mais na inovação, esse modelo é parte essencial de qualquer cadeia produtiva, independentemente do setor.

Outras indústrias, aos poucos, começaram “a ganhar dinheiro” também com essa criatividade, inclusive os setores públicos quando implementam conceitos, como as cidades e redes criativas. “Hoje abrange não só as indústrias criativas, mas também as tradicionalmente ‘não criativas’, mas que se beneficiam desse movimento, além de instituições, cidades, redes, comunidades”, acrescenta Saad.

Enfim, é tudo aquilo que parte da criatividade para promover novos modelos de negócio, gerar rentabilidade e lucro social positivo, além de apresentar soluções para dores e problemas dentro do modelo do capitalismo. “A economia criativa se insere nesse contexto ao atuar em pilares como o digital, com a ideia de economia cíclica, de reaproveitamento, de reutilização, de upcycling, de retroalimentar todo o sistema, com preocupações de sustentabilidade, de inclusão e de responsabilidade social.”

Para o professor, todas essas práticas são o único caminho possível para toda e qualquer empresa. “Serão os negócios mais promissores”, avisa. “Quem não se atentar para essa nova realidade dificilmente sobreviverá agindo da maneira não sustentável. Muitas dessas companhias já começam a ser ‘punidas’, especialmente pelo conhecimento e empoderamento do consumidor e pelo papel desempenhado pelas redes e mídias sociais que cobram uma nova postura, muito mais ativa.”

Economia criativa beneficia todas as áreas

Hoje, atuar na economia criativa não é só escolher a uma profissão a ela relacionada. “É estilo de vida. O lugar onde se trabalha tem a ver com mindset, essa sintonia com algum propósito, ou seja, aquela ‘cola’ que faz a economia criativa realmente dar certo”, acrescenta o especialista.

A boa notícia é que as novas gerações estão mais sintonizadas com esses princípios: naturalmente preocupadas com esses temas, como propósito e sustentabilidade, nascidas na era da internet ou com facilidade para o digital, elas têm nesse caminho o ambiente propício para fazer transformações na sociedade. “São escolhas que fazem sentido para elas, seja porque vão resolver um problema da humanidade, tornar a vida das pessoas mais fácil, porque é verdadeiro. Além de dar lucro — afinal, as contas precisam ser pagas — essa ordem é inversa da que as empresas estavam acostumadas. “E as empresas já priorizam pessoas com essa visão para ajudar nessa liderança”, revela o professor.

Independentemente da escolha profissional, é possível trabalhar com o mindset desse mercado, seja na área de tecnologia, na política pública e nas profissões tradicionalmente criativas. “Tem espaço para todos nesse novo mundo, especialmente porque está em crescimento e precisa de profissionais com várias visões e habilidades.”

Os muitos caminhos do design

O design é uma das atividades que mais se destaca nesse contexto: ninguém produz nada sem ele. E aqui falamos tanto das áreas que já nascem com esse DNA (como moda, cinema, decoração etc.) quanto das que estão sempre se reinventando para trazer novas experiências aos consumidores — como o upcycling, um importante pilar da economia criativa. “A indústria da moda faz isso muito bem dentro do modelo capitalista”, exemplifica. “Ela ganha com esse produto inovador — talvez mais até do que com uma coleção normal —, utiliza um resíduo como matéria prima e que antigamente talvez fosse descartado no meio ambiente.”

O mesmo vale para os segmentos considerados “tradicionais” — como os que criam cadeias produtivas nas quais incluem cooperativas de reciclagem, por exemplo — e as esferas governamentais. Neste último, Saad cita o exemplo da Prefeitura de São Paulo que, já em 2015, instalava chips em bueiros para apontar locais com lixo e obstruídos com o objetivo de monitorar pontos com risco de alagamentos na cidade. “Para quem deseja trabalhar na esfera pública, os governos devem caminhar cada vez mais nesse sentido, seja por necessidade ou pressão social.”

Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil
Núcleo da Economia Criativa no Brasil Fonte: Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil da Firjan
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Patrícia Rodrigues

Jornalista colaboradora do Trendings.

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