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Startups na pandemia: a bolha estourou? Especialista acredita em ‘seleção natural’

Patrícia Rodrigues
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Assim como qualquer empresa, as startups sofreram com readequações no cenário da pandemia. Mas a crise também favoreceu muitos negócios nos ambientes digitais em função dos novos hábitos dos consumidores

A crise sanitária afetou duramente todos os segmentos e com as startups não foi diferente — como bem lembrou Brian Chesky, diretor e fundador do Airbnb, referindo-se ao fato de que poucas semanas bastaram para abalar um negócio construído durante 12 anos. Mas será que esse momento pode ser considerado o “estouro da bolha” das startups, algo cogitado há pelo menos cinco anos?

Para a professora Letícia Menegon, coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Empreendedorismo da ESPM, falar em “estouro da bolha” é considerar que, depois dele, não sobra mais nada, há uma quebra geral. “Não podemos afirmar isso. Como em todo processo no qual existem muitos players, acontece a famosa seleção natural e vale para todos os tipos de negócio”, observa.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,4% das empresas fecharam por conta da pandemia, isto é, quatro em cada dez até a primeira quinzena de junho. “Nesse momento, assim como em outros ao longo da história, vão sobreviver aqueles que forem mais fortes, os que tiverem as melhores estratégias, o melhor valor a entregar no mercado e assim por diante.”

Ser referência agrega valor

As startups podem até ser “pequenas” se comparadas às organizações tradicionais, mas muitas já são reconhecidas como “gigantes” pelo crescimento rápido e exponencial — e não necessariamente por estarem pagando as próprias contas ou até lucrando. “Ifood, Waze, Nubank entre outras são exemplos de empresas que ainda recebem rodadas de investimentos e continuam oferecendo soluções ágeis. Mas, de qualquer forma, já conquistaram uma posição de referência no mercado que as torna grandes, inclusive em termos de poder”, ressalta. “Independentemente de seu tamanho ou origem, uma startup pode se tornar “grande” ou não por vários motivos. “Não significa que estão fadadas, necessariamente, ao sucesso ou ao fracasso. Muitas, por exemplo, decidem não se internacionalizar. É uma escolha.”

Processo natural

A coordenadora ainda reforça que, em qualquer negócio — startup ou não — existem empreendedores que entram por modismo, sem o devido conhecimento da área, não importa qual seja ela. “A pandemia não afetou prioritariamente as startups, até mesmo porque grandes corporações também sofrem com ela, vem demitindo e tiveram que fazer várias adequações e adaptações ao momento histórico.”

Por outro lado, a pandemia também acelerou inúmeros negócios digitais, especialmente os relacionados aos novos comportamentos do consumidor e seus hábitos de consumo. Entre eles o e-commerce e uma série de plataformas de serviços bancários, novos meios de pagamento, logística, mobilidade, farmácia, telemedicina e ensino à distância só para citar alguns. “A continuidade deve existir, porém muitas startups têm que rever seus modelos de negócio, bem como suas estratégias, em função desses novos hábitos criados pelo isolamento”, analisa.

A Uber, por exemplo, criou novos serviços de entregas de objetos, e os pequenos negócios encontraram alternativas oferecendo seus produtos em plataformas de redes consagradas do varejo. Os restaurantes de bairro adotaram aplicativos próprios, intensificaram os deliveries, os sistemas take away (pra viagem), utilizando o WhatsApp, sem necessariamente passar por plataformas famosas, que cobram taxas mais altas de seus afiliados. “No fundo, sempre será uma questão de gestão, de como remodelar e reformular o negócio rapidamente para acompanhar o ritmo dessas mudanças que deixarão impactos para os próximos três anos, isso em uma visão bastante otimista”, finaliza.

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Patrícia Rodrigues

Jornalista colaboradora do Trendings.

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