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A inteligência artificial nas campanhas eleitorais

Diego Santos Vieira de Jesus
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Como a inteligência artificial pode ajudar a desenvolver campanhas personalizadas? Essa é a pergunta a que uma pesquisa da ESPM-Rio busca responder

A relação entre a internet e a política tem sido objeto de estudos que consideram principalmente o uso dos websites e redes sociais como partes da estratégia eleitoral dos candidatos e partidos políticos – bem como alguns efeitos colaterais como o uso indevido do acesso aos eleitores e a disseminação das fake news. De qualquer forma, a inteligência artificial surge como uma ferramenta de alto impacto para o marketing político e eleitoral.

Uma pesquisa inédita propõe-se a estudar a inteligência artificial como método para o desenvolvimento de campanhas eleitorais personalizadas, com base no big data e no deep learning. Trata-se do estudo “Inteligência Artificial e o impacto da tecnologia no desenvolvimento de campanhas políticas: uma análise das campanhas dos candidatos para as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo em 2020” – que recebe auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa conta com a colaboração de uma pesquisadora da USP e é liderada por Adriane Figueirola Buarque de Holanda, do Laboratório de Cidades Criativas (LCC) da ESPM-Rio.

Como a internet pode servir às campanhas

Na comunicação mediada por computadores, qualquer pessoa pode se tornar um emissor de mensagens, qualquer receptor pode se tornar emissor, e qualquer receptor se transforma em provedor de informação distribuída na rede.

Dentro desse cenário, a informação é cada vez mais segmentada, de acordo com as posições, o gosto, os valores e o estilo de vida do público ao qual se dirige. Essa realidade faz com que, em uma campanha, o candidato possa utilizar a internet como um meio para divulgar informação e trazer dados para os eleitores tomarem sua decisão de voto.

Os websites de candidatos e as redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, tornam-se interessantes em períodos eleitorais porque não são tão restritos em termos de espaço e tempo, como acontece com o horário gratuito de propaganda eleitoral de televisão e rádio. E o internauta tem liberdade de acesso, independentemente do horário, à informação desejada, sem o filtro de meios tradicionais.

Como funciona a inteligência artificial numa campanha

Holanda aponta que algumas tendências foram pensadas para plataformas que não dependem mais dos conglomerados midiáticos dominantes para passar mensagens aos receptores na Quarta Revolução Industrial, a era da robótica e do aprendizado por meio das máquinas.

É nesse contexto que a inteligência artificial (IA) busca processar dados para solucionar problemas por meio de diversos métodos e algoritmos e contribuir para uma campanha mais personalizada.

Para implementar a IA, algumas ferramentas são importantes, tais como busca e otimização, lógica, métodos probabilísticos para raciocínio incerto, redes neurais, teoria do controle e linguagens que se interconectam na mineração de dados, machine learning, deep learning e big data.

Na machine learning, a IA aplica o algoritmo como um método de aprendizagem. O desempenho depende da quantidade de dados que será disponibilizada.

Usa-se o deep learning para resolver os problemas, mobilizando as redes neurais a fim de se assimilarem as decisões e preferências humanas (no caso, aquelas relacionadas aos temas políticos considerados importantes aos cidadãos e debatidos na internet). O deep learning é normalmente aplicado para desempenhar as tarefas humanizadas.

Para se ter um bom funcionamento de tudo, a base da AI é o big data, um banco de dados que apresenta um volume de dados complexos, difíceis de serem processados e analisados pelas técnicas tradicionais de software.

Os novos modelos de negócio e a política

Segundo Holanda, novos modelos de negócios estão sendo incorporados ao mundo digital, inclusive nos temas de política.

Nesses modelos, a IA tomou a forma de uma ferramenta de marketing para processar dados e pensar estratégias políticas a partir de informações distribuídas pelos indivíduos na internet.

Com as novas tecnologias de informação e comunicação, tudo pode ser transformado em bits, sons, imagens e textos, propiciando uma comunicação individual, personalizada e bidirecional, em tempo real.

O debate sobre a democracia na era das fake news

Segundo Holanda, alguns especialistas veem que as novas tecnologias de informação e comunicação fortalecem o processo democrático e possibilitam a livre troca de ideias.

Outros pesquisadores, porém, analisando o uso pouco ético de tais ferramentas por políticos e profissionais de comunicação, começaram a questionar o quão democráticas eram as novas tecnologias desde o uso intenso das redes sociais na primeira eleição do presidente Barack Obama, nos Estados Unidos, ainda em 2009. A IA passou a ser mais frequentemente aplicada para otimizar estratégias eleitorais, como a de seu sucessor, Donald Trump, que sofreu acusações de mau uso das ferramentas e de disparos de fake news por redes sociais.

Segundo tais analistas, na web, qualquer indivíduo pode produzir notícias, já que, nela, a emissão de informação é dispersa e capilarizada, e emissores alternativos e atores políticos marginais podem tentar produzir eventos noticiáveis, muitas vezes inverídicos.

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Diego Santos Vieira de Jesus

É docente e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) e coordenador do Laboratório de Cidades Criativas da ESPM-Rio.

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