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Techs: tecnologia a serviço de muitos negócios

Patrícia Rodrigues
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Fintechs, agritechs, edtechs, healtechs, HR techs. Conheça alguns segmentos de startups que despontam oferecendo novas experiências aos consumidores por meio de ferramentas digitais

Se você pretende entregar um produto ou serviço utilizando qualquer tipo de tecnologia, seja bem-vindo ao mundo das techs. Afinal, essa é a base de negócio de milhares de empresas que pipocam no mundo (especialmente nos Estados Unidos e Israel desde os anos 2000 e no Brasil com mais força a partir de 2010) para oferecer novos modelos e soluções para tudo o que se pode imaginar.

Mas o que caracteriza esse modelo? De acordo com a professora Letícia Menegon, coordenadora da Incubadora ESPM-SP, as techs não possuem apenas a entrega de produto com base nesse conceito primordial, mas todo um relacionamento com o cliente feito também por meio da tecnologia. “Pode até acontecer de outras formas, mas o maior volume utiliza essas ferramentas”, acrescenta. “As techs conseguem quebrar barreiras de forma mais barata que os serviços convencionais, com mais facilidades e para um público específico, aquele que já lida muito bem com a tecnologia.”

Um bom exemplo desse modelo em alta são as fintechs que, apesar de “navegarem” nos mesmos mercados dos bancos, trazem vários diferenciais: facilitam e agilizam processos, reduzem uma cadeia hierárquica a partir da automatização de atividades antes feita por humanos e se concentram em funcionários mais dedicados ao coração do negócio, os chamados especialistas. “O fato de não possuírem agências físicas, gerentes, segurança, pessoal de apoio também representa uma grande economia, o que diminui os custos operacionais e isenta os clientes de muitas taxas”, explica a especialista. “Além disso, as fintechs atuam com um público que faz questão de um relacionamento simples, direto, sem muita burocracia, aquela que mais impede do que possibilita o fluir do processo.”

Cada vez mais próximas e pessoais

Também estão em alta outras techs cujo foco são as pessoas — caso das HR techs, empresas de recursos humanos que facilitam e aceleram todas as etapas de recrutamento, seleção e contratação ao utilizar machine learning e outras tecnologias para conectar os melhores candidatos às melhores vagas. “Dessa maneira, muitas HR techs automatizam processos e aproveitam o uso da Inteligência Artificial e de Big Data para conseguir entregar o melhor candidato para uma vaga em pouquíssimo tempo”, exemplifica a professora. “Se antes esse processo demorava três meses, hoje acontece em um ou até duas semanas dependendo da vaga”. Além do treinamento de forma virtual, atividade muito comum, as HRTechs utilizam a gamification, ferramenta com base em jogos “sérios” e cada vez mais comum para selecionar, treinar e/ou avaliar os funcionários durante os processos.

O treinamento também é uma das muitas atuações das edtechs, empresas voltadas à educação. “Elas podem gerenciar muitas atividades, incluindo a vida escolar o currículo dos alunos, dando todo suporte para que escolas e faculdades não necessitem tanto de secretarias. Há outras ainda mais específicas que oferecem uma gestão de secretaria”.

A saúde tem sido outro foco das techs. E não só de aplicativos que nos lembram a hora de beber água, de tomar o remédio, de se exercitar ou nosso desempenho durante os treinos. As healthtechs vão além e prestam um serviço muito mais personalizado, monitorando a pessoas diariamente. Glicemia ok? Pressão ok? Todos esses dados e outros vão compor uma base e, caso algum critério não esteja dentro dos parâmetros, a tech aciona o médico para que ele entre em contato. Um exemplo é Biosensing, a startup de Ribeirão Preto (SP), cujo aplicativo coleta e monitora dados dos usuários em tempo real, utiliza inteligência artificial e internet das coisas (IoT) para prevenir e identificar doenças e, se preciso, avisar a necessidade de consulta ou acionar um serviço de emergência.

Sempre vem mais por aí!

As retailtechs também revolucionam o varejo de diferentes formas. Algumas delas focam em melhorar operações de loja, tarefas como horário de funcionários, agendamento de pagamentos e controle de estoque. Outras oferecem robôs para abastecimento, coletam e armazenam dados para melhorar e automatizar os processos e até mesmo diminuir os funcionários nas lojas. “Em uma loja da Amazon, ainda em fase de testes, já existe uma série de dispositivos que fazem a leitura de quem é a pessoa e o seu cartão de crédito, permitindo que ela realize uma compra sem que ninguém a atenda”, comenta Letícia. “Em alguns países pode dar certo e em outros não, como é o caso de lugares em que não se usa muito o cartão de crédito. Depende da faixa etária, do perfil, da aderência à tecnologia, se faz ou não sentido nesse mercado”.

A questão da mobilidade é um assunto promissor para o surgimento de novas techs — já tem até pizza sendo entregue por drone. Já existem ferramentas bastante avançadas para o rastreio de mercadorias, que não apenas fazem a geolocalização, mas também traçam as melhores rotas e agilizam as entregas. “Será cada vez mais comum o uso de embalagens inteligentes, rastreadas do momento que saem da fábrica até a entrega ao consumidor final, sem que seja necessário um entregador para dar baixa nesse processo, além da maior rapidez”, revela a professora. “Obviamente que são mais caras, mas os chips instalados em diferentes lugares diminuem o roubo de cargas, favorecendo o mercado legal, mesmo que os rastreadores sejam removidos dos caminhões”.

Conheça outras techs:

Foodtechs: oferecem soluções tecnológicas para o setor alimentício com a prestação de serviços de forma disruptiva, inovadora e diferenciada. Atuam não apenas na entrega (como muita gente pensa), mas em toda a cadeia alimentar (produtores, fornecedores e consumidores, soluções para otimizar processos, evitar desperdícios de alimentos, promover a sustentabilidade, reciclagem de embalagens etc.).

Agritechs: startups voltadas para o sistema agropecuário, em que a tecnologia adequa, por exemplo, novos modelos de produção, reduz custos, tempo e mão de obra; melhoram a produtividade, a qualidade dos produtos, evitam desperdícios e facilitam a vida do profissional rural. As soluções englobam a agricultura de precisão (variabilidade do solo e do clima), monitoramento de lavoura e a modernização de equipamentos (sensores, drones, GPS, entre outros).

Govtechs: a tecnologia traz modernização e soluções de problemas internos e de administração pública. Entre os objetivos estão a desburocratização, a transparência (exemplo: softwares de gestão de documentos e andamentos de processos), e a implementação de políticas públicas para beneficiar seus “clientes”, ou seja, os cidadãos.

Cleantechs: aqui a preocupação do negócio escalável também engloba a sua função social, com o bem-estar das pessoas, o meio ambiente e a sustentabilidade. Sendo também chamadas de startups verdes, essas empresas priorizam fontes de energia sustentável (vento, luz, calor e força das marés) e reduzem o uso de recursos não renováveis (petróleo, o gás natural e o carvão). Utilizam a tecnologia para melhorar o desempenho dos negócios, otimizando processos, reduzindo desperdícios e custos, além de poluir menos e diminuir a produção de rejeitos.

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Patrícia Rodrigues

Jornalista colaboradora do Trendings.

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