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Obsolescência humana

Jorge Tarquini
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Se você acredita que nós somos como qualquer aparelho, que tem um “prazo de validade”, melhor repensar seus conceitos

“Ah, sou velho demais para aprender”. Independentemente da idade, é muito comum alguém falar exatamente isso diante de alguma nova tecnologia, um novo app, algo que traga uma nova lógica – por mais intuitivo que seja seu uso.

Será mesmo que, com a idade, ficamos menos abertos a aprender? Lembro, ainda hoje, de quando minha família comprou seu primeiro videocassete. Enquanto meus pais insistiam em ler o manual, eu e minhas irmãs já mexíamos em tudo, sabíamos sintonizar os canais, programar para gravar mesmo quando não estivéssemos em casa…

Eu não entendia por que era tão complicado para meus pais. Hoje, sou eu quem, de vez em quando, se sente meio perdido com algumas novidades. Envelheci? Perdi minha capacidade de aprender?

Encucado com isso, conversei com meu neurologista. Será que estou perdendo algumas funções cognitivas? Será que há algum problema de memória? Será? Será…

Ele foi claro: não se trata de idade ou de qualquer outro problema.

Ufa…

Então, por que, hoje, pareço meus pais cada vez que preciso lidar com novidades que, quando eu tinha 15 anos, eu tirava de letra?

Simples: quando somos mais novos, temos muitas coisas que jogam a nosso favor. A primeira: o cérebro de alguém com 15, 20, 25 está 110% voltado para aprender e apreender as novidades do mundo – e isso vem desde a primeira infância.

Na fase adulta, segundo ele, para além das mudanças fisiológicas do cérebro, entramos na fase de consolidação: rotinas diversas, tanto no cotidiano pessoal (acordar, trabalhar, cuidar da casa, conviver com um par e com filhos…) quanto no dia a dia profissional (vulgo carreira: você vai aprimorando suas habilidades já adquiridas, com foco em ficar cada vez melhor nelas).

Na fase mais madura, começamos a não dar muita importância para estar up to date com tudo. Nosso cérebro entra em um modo em que, sem que a gente perceba, ele faz escolhas quase automáticas. E nossa disposição para gastar tempo e energia com “o que não é tão importante” acaba se tornando um modo quase automático de lidarmos com o que nos cerca. E, realmente, guardar comandos, sequências de aperta/clica/seleciona/abre, não são prioridade…

“Mas há algo que a gente possa fazer, para não correr o risco de ficarmos à parte do mundo tecnológico?”

Ele respondeu de forma bem simples: “Fique tranquilo… Se for vital para sua sobrevivência, você vai aprender”.

Fez sentido…

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Jorge Tarquini

Curador do #Trendings.

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